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15.12.2011
Cantiga da Rua não é de ninguém (Crónica Rádio Fundação)
A semanas do arranque da CEC 2012, assinalaram-se os 10 anos do reconhecimento do centro histórico como Património da Humanidade. No passado fim- de- semana, à entrada da cidade, um cartaz com uma foto da multidão que no Verão povoa a nossa praça da Oliveira dava as boas-vindas a quem chegava a Guimarães com uma frase tirada do sentimento das nossas gentes: "O património somos nós!" Procurei, sem sucesso, uma cópia na internet. Queria partilhá-la nas redes sociais, imbuída do orgulho de me saber vimaranense e de ser parte desse que é o maior património da nossa cidade. Gostei sobretudo da ideia que perpassava naquele cartaz: a ideia de que as gentes da cidade se apropriaram desse centro - património da humanidade - que sendo de todos e pensado para todos - mas não é, por isso mesmo, património de ninguém.
É pena que no que respeita à CEC a Câmara Municipal de Guimarães não tenha sabido interpretar esse mesmo sentimento e, sobretudo, não tenha sabido impô-lo, desde a primeira hora, à Fundação Cidade de Guimarães. A CEC nasceu e cresceu numa redoma, arredada dos sentimentos das gentes da cidade, de costas voltadas para as nossas instituições. Como se Guimarães não passasse de uma espécie de barriga de aluguer para um evento nacional e europeu, que embora crescendo no seu seio, não lhe pertence nem partilha do seu ADN. Contrariamente ao que seria de esperar, a CMG - e, em primeira linha, o seu presidente,- são os primeiros a contribuir para este sentimento, são os primeiros a expressarem e deixarem claro aos olhos de todos que ,afinal, a CEC não é de todos os vimaranenses é, outrossim, uma coutada de alguns. Se dúvidas restassem, a última reunião da Assembleia Municipal veio, uma vez mais, comprová-lo, com o Partido Socialista a apropriar-se da CEC e a dizer aos vimaranenses que a Capital Europeia da Cultura é um evento internacional... mas Socialista. Todos os demais, que ao longo do tempo deram contributos, fizeram alertas e legitimamente apresentaram sugestões e fizeram críticas estão contra a capital Europeia da Cultura. Ao PSD a acusação não foi sequer velada: "querem que a CEC corra mal, para assim abrirem uma janela de oportunidade para as eleições autárquicas de 2013". É pena - é mesmo pena - que, em Guimarães, o Partido Socialista não saiba identificar e unir na hora de dar corpo a desígnios maiores - como é incontestavelmente a Capital Europeia da Cultura - reduzindo um evento e uma oportunidade desta envergadura para a cidade, a uma questiúncula político-partidária que, à beira da dimensão do desafio que é para Guimaraes tirar o melhor partido da CEC, não passa de uma espécie de batalhazinha menor. Escrevo ainda antes de conhecer o programa da capital europeia da cultura e por isso deixo expresso e escrito para a posteridade: a CEC pode não ser minha, nem um bocadinho minha.... Mas desejo, sinceramente, que a apresentação corra mesmo muito bem e que o programa dignifique e catapulte para voos maiores o nosso concelho de Guimarães. |
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