26.01.2012
Guimarães: De Guimarães para o Mundo (Crónica Rádio Fundação)

No decurso do ano que passou, muitos desconheciam ainda que, em 2012, Guimarães seria CEC. Outros, pelo contrário, afirmavam que sim, que já sabiam, que este ano a CEC era no Norte. Eu teimosamente lá dizia que não. Que não era no Norte. Era em Guimarães. E, à boleia disso, lá insistia que o Norte é uma expressão redutora para definir tantas e tantas cidades cheias de identidade e identidades. Expressões que o centralismo cultivou e a que nunca me conseguirei habituar.

 

O certo é que, desde sábado, não haverá já ninguém que não saiba que a CEC é em Guimarães, nessa terra onde - como destacou, e bem, o Presidente da República - Portugal já era Portugal antes de existir Portugal.

O espectáculo inaugural da CEC teve a cobertura mediática que merecia e foi, do meu ponto de vista, muitíssimo bem conseguido. A estética e a arte são sempre subjectivas. São até desejavelmente subjectivas. Mas o sucesso a que me refiro é eminentemente factual: Guimarães e os vimaranenses reviram- se no espectáculo de Manuel de Oliveira e encontraram-se mais tarde no Toural.

Reviram-se nos rostos daqueles que conheciam, no toque das caixas e dos bombos, na imagem do nosso primeiro rei, nos bordados projectados nas fachadas no Toural.

Haverá porventura quem diga que a CEC reclama apresentações de carácter mais internacional e menos regionalista. Da minha parte considero que se a CEC há-de servir para trazer o mundo a Guimarães, serve também, ou até em primeira linha, para levar Guimarães ao mundo. E foi isso - justamente isso -  que aconteceu.

 

O que desejo é que, no final de 2012, saibamos deixar aberta essa porta para a Europa e para o mundo, e rejuvenescidos, assentes num diferente tecido cultural e económico que fique para lá de 2012, sejamos capazes de afirmar a nossa cidade com a mesma pujança com que o fizemos no sábado passadoo.



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